
Para começar este post, que marca meu retorno ao blog após alguns dias de descanso de tudo (inclusive de computadores), gostaria de fazer uma viagem no tempo até a metade dos anos 1980:
O Brasil vivia tempos turbulentos em todos os aspectos que vocês pudessem imaginar, desde a economia até a política. Quem viveu esses tempos sabem muito bem o que estarei relatando a seguir:
- Na economia: Víviamos tempos de inflação galopante, moeda fraca e baixo poder aquisitivo. Quem tinha uma FILMADORA, um MONZA 2.0 na garagem e podia viajar uma vez por ano para o NORDESTE já podia ser considerado classe média alta.
- Na política: Víviamos tempos de transição de ditadura para democracia sonhando com as DIRETAS JÁ. Mas, um golpe duro veio fazer chorar toda uma nação quase que totalmente desesperançada na política, morre a única esperança de "dias melhores": Tancredo Neves (presidente eleito pelo colégio eleitoral) antes de mesmo de assumir o governo. E aí a tragédia estava instalada na pele de José Sarney e seus terríveis Planos CRUZADO.
- Na cultura: Víviamos tempos de crise de identidade cultural com artistas adotando pseudônimos em inglês e modismos de qualidade duvidosa sendo importados dos EUA e da Inglaterra. O "chique" era usar termos como "new wave", sonhar em surfar no "Hawaii" e consumir tudo o que viesse de fora, afinal de contas: ... "o que é bom para os americanos, é bom para os brasileiros...", lembram-se desse absurdo???
- Nos esportes: Víviamos única e exclusivamente das conquistas de Nélson Piquet e de algumas raras vitórias olímpicas, como, por exemplo, a medalha de ouro de Joaquim Cruz. No futebol seria melhor nem falar... Tínhamos a melhor seleção de todos os tempos, recheadas de craques legítimos (e não esses pseudo-craques de atualmente, virtuosos em "firulas" mas que produzem pouco) em duas copas do mundo (1982 e 1986) e... PERDEMOS.
- Nas relações internacionais: Víviamos tempos de tanta falta de prestígio internacional que o homem mais poderoso do mundo veio nos visitar e nos chamou de BOLÍVIA...
Todo esse contexto trouxe um sentimento muito forte de falta de patriotismo, de tanta vergonha de ser brasileiro que a melhor síntese para todo esse estado de anti-brasilidade vem das palavras sarcásticas e inteligentes de Roger do Ultraje a Rigor:
A GENTE NÃO SABEMOS ESCOLHER PRESIDENTE
A GENTE NÃO SABEMOS TOMAR CONTA DA GENTE
A GENTE NÃO SABEMOS NEM ESCOVAR OS DENTE
TEM GRINGO PENSANDO QUE NÓIS É INDIGENTE
INÚTIL
A GENTE SOMOS INÚTIL
A GENTE FAZ CARRO E NÃO SABE GUIAR
A GENTE GENTE FAZ TRILHO E NÃO TEM TREM PRA BOTAR
A GENTE FAZ FILHO E NÃO CONSEGUE CRIAR
A GENTE PEDE GRANA E NÃO CONSEGUE PAGAR
A GENTE FAZ MÚSICA E NÃO CONSEGUE GRAVAR
A GENTE ESCREVE LIVRO E NÃO CONSEGUE PUBLICAR
A GENTE ESCREVE PEÇA E NÃO CONSEGUE ENCENAR
A GENTE JOGA BOLA E NÃO CONSEGUE GANHAR
Pois foi em meio a todo esse turbilhão de acontecimentos contra a brasilidade, que contradiziam com intensidade tudo aquilo que as aulas de MORAL e CÍVICA nos ensinavam a fazer, que surge um grande herói cívico brasileiro. Justamente quando todo mundo tinha vergonha de ADMITIR que era brasileiro, surge um cara que EMPUNHOU a bandeira brasileira diante das câmeras de todo mundo num dos dias mais dolorosos para o povo tupiniquim: Gp de Detroit de 1986, um dia depois da maior geração futebolística pós-Pelé sucumbir definitivamente em copas do mundo (já havia fracassado antes em 1982) fazendo uma nação, já arrasada por todo o conjunto de fatores acima relatados, chorar copiosamente. Eis que justamante nesse dia de finados extemporâneo, surge a figura de um piloto que ao vencer a corrida ergue o mais improvável de todos os estandartes: o pavilhão verde-amarelo. O gesto despertou um estranho eco de esperança rediviva no povo brasileiro tão acostumado com derrotas. E não é que com o passar do tempo o gesto foi repetido várias vezes e, a cada vez que era feito, despertava cada vez mais no brasileiro comum o abafado orgulho de ser brasileiro. E esse sentimento crescia, crescia... até chegar ao ponto de RESGATAR o sentimento de orgulho patriótico.
Os tempos avançaram e o Brasil melhorou, hoje temos uma economia forte, uma democracia estabelecida, cultura própria resgatada, status internacional de país emergente e esporte que vence freqüentemente . Temos muitos motivos de nos orgulhar em empunhar a bandeira brasileira. O que não podemos nos esquecer é de que quem resgatou esse sentimento foi um brasileirão, que Rubens "Brasileirinho" Barrichello me perdoe a alfinetada, chamado SILVA. Quando me perguntam quem foi e quão grande foi AYRTON SENNA respondo com todo orgulho:
AYRTON SENNA DA SILVA FOI UM DOS MAIORES HERÓIS CÍVICOS DA HISTÓRIA DO BRASIL, digno de figurar em livros de história com tanto louvor quanto TIRADENTES.
VIVA SENNA , UM LEGÍTIMO HERÓI BRASILEIRO!!!